Nesta semana, mais precisadamente na última quinta-feira (11), a presidente Dilma Rousseff assinou a regulamentação de cotas em universidades e outras instituições de ensino federais para estudante de escola pública, baixa renda, negros, pardos e índios. A reserva de vagas já começa a valer para os próximos vestibulares que distribuirão vagas para o primeiro semestre de 2013.
Daqui a dois anos estarei prestando vestibular, estudo em escola particular e tudo, não sou negro, pardo ou índio, logo, essa regulamentação dificulta bastante minha vida, no entanto, não analiso esse sistema de cotas que pretende reservar 50% de vagas para cotista daqui até quatro anos como alguém que é claramente prejudicado, mas sim como um cidadão brasileiro preocupado com o desenvolvimento da nação.
Daqui a dois anos estarei prestando vestibular, estudo em escola particular e tudo, não sou negro, pardo ou índio, logo, essa regulamentação dificulta bastante minha vida, no entanto, não analiso esse sistema de cotas que pretende reservar 50% de vagas para cotista daqui até quatro anos como alguém que é claramente prejudicado, mas sim como um cidadão brasileiro preocupado com o desenvolvimento da nação.
Para começar, não tem como deixar de ressaltar a imbecilidade, considero uma imbecilidade realmente, de negros, pardos e índios aceitarem o fato de receberem cotas. Isso é um atestado de inferioridade.
O primeiro artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos diz: "Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidades e direitos [...]". Negros, pardos e índios são diferentes dos outros para terem vida facilitada para entrar na universidade? São inferiores? Não são. Mas é claro que na hora de cobrar o que é certo, o jeitinho malandro e da valorização do que é fácil, não do que é certo, falam mais alto na mente do povo brasileiro...
Além desse atestado de inferioridade que o sistema de cotas fornece, ele dá claro sinais do tão ridículo o sistema de ensino público brasileiro anda. Ficou notório que Dilma reconheceu que está um lixo tudo isso, que, atualmente, há uma drástica diferença entre ele e o sistema particular.
E o que fazer com isso? Claro que o corretíssimo era buscar uma melhora, não facilitar a vida dos estudantes do ensino público criando uma falsa impressão de que com um aumento do número de universitários oriundos de escolas públicas o sistema teria melhorado.
De fato, ridícula a atitude de ceder a esse ponto até porque atualmente o sistema de ensino público é tão fraco que não seria surpresa alguma ver estudantes de tal sistema chegando a universidade sem a mínima base para decorrer bem a vida por lá.
Mas bem, sabendo que os alunos do ensino público terão sua vida facilitada só mostra uma perspectiva totalmente desanimadora. Ou seja, o governo do Brasil não tem interesse em melhorar para que eles não precisem de cota para entrar em uma boa universidade. E isso é péssimo.
É triste demais saber que melhorar a educação é a base para o crescimento de uma nação e no Brasil não se valorizar isso e, além do mais, buscar ocultar essas deficiências.
Fica a expectativa para que um dia o governante que chegar ao poder que a chave não é facilitar a vida dos alunos de escolas públicas e sim buscar melhorar o sistema de ensino, dar condições de ensino para eles porque eles (muito menos negros, índios e pardos) não são inferiores a nenhuma outra pessoa. N-E-N-H-U-M-A.
Quando essa ideia fazer sentido para os políticos garanto que a situação em nossa terra ficará muito melhor...
Por: Felipe Ferreira
Twitter: @felipepf13
Email: felipepf97@gmail.com
Felipe, entendo seu ponto de vista sobre as cotas e até concordo em partes, mas considero as cotas necessárias. O que deveria haver é uma forma de corrigir a distorção entre o ensino público e particular, o que não acontecerá porque nossos governantes não estão nem aí para isso e os "interessados" na causa não se interessam. Não vejo a diferenciação entre o ensino público e o privado como algo que fere o primeiro artigo dos direitos humanos, e sim como um equilíbrio na competição pelas vagas, porque você há de convir que mesmo se houvesse uma política de equiparação entre a escola pública e particular, ainda haveria diferenças no ensino, o que desabilita a igualdade no processo do vestibular. Muitos argumentam sobre o fato da desistência dos alunos cotistas, mas esse é um ônus necessário ao processo. Deve haver um processo para que essa vaga "roubada" e "perdida" por um cotista seja ocupada por um outro aluno, agora sendo ocupada por um não-cotista.
ResponderExcluirWanderson, quanto ao fato de ferir o primeiro artigo dos Direitos Humanos eu quis dizer quanto a cotas para negros, pardos e índios. Entendi seu ponto de vista em relação a cotas para escolas públicas, faz sentido, mas minha perspectiva desanimadora vem do fato de que o governo muito provavelmente não vai buscar melhorar o sistema de ensino público. Não deveria haver essa diferença, não deveria haver de jeito nenhum, o governo errou demais e agora deveria buscar reaver esse erro, não simplesmente facilitar a entrada de estudantes oriundos do ensino público nas universidades. Criar as cotas porque está investindo a longo prazo no ensino público é uma coisa, criar as cotas para ocultar os problemas e não buscar melhorar é totalmente desanimador.
ResponderExcluirConcordo Ferreira. Eu sou negro, e não me acho inferior aos outros, mas essas cotas irão me ajudar, por geralmente sofremos preconceito por nossa cor, que é uma coisa esdruxula. Mas em relação às escolas particulares, estamos muito atrás, é só olhar para ENEM, onde os alunos das escolas particulares “humilham” os da escola publica, essas cotas vão ajudar e vem de melhorar o ensino, para que isso seja equilibrado. Bom, é o que acho sobre o assunto.
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