Em março do ano passado, militantes islâmicos dominaram o norte de Mali e o país começou a conviver com uma enorme crise interna. É claro que houve uma investida contra a atitude dos rebeldes, o que tumultuou ainda mais a situação ainda mais com o fato de que, como os extremistas dividiram a região dominada em duas, a independência de uma das partes foi decretada.
A região em questão, que vem sendo denominada como estado de Azawad, corresponde a aproximadamente dois terços da área da antiga colônia francesa, no entanto, os fanáticos islâmicos não se contentam apenas com tal território e estão avançando ao sul do país, chegando a buscar a ocupação de áreas de posse do governo. Com este panorama e a presença da Al-Qaeda em território maliense, o governo francês decidiu intervir na busca por uma melhora na crise, mas as atitudes tomadas, que não contam com a menor cautela, tem tudo para piorar a situação.
Ao que tudo parecia, a França iria intervir no Mali com muita calma, mas a realidade apontou uma situação totalmente diferente. Quatro dias atrás, já havia uma grande mobilidade de soldados franceses, além de que grandes bombardeios e ataques aéreos comandados pelas tropas oriundas do país europeu tornaram-se situações rotineiras no dia seguinte.
Em meio a decisões ariscas, o maior desejo do chefe de Estado francês é afastar os rebeldes do Mali, não importando a forma com que se tome essa decisão, todavia, Hollande, aparentemente, não pensa que decisões pouco cautelosas e tão ofensivas podem trazer problemas para a própria França já que é sabido de todos que não seria uma atitude surpreendente caso os rebeldes islâmicos visassem uma represália em relação a nação europeia.
Além de possíveis represálias contra os franceses, o oeste africano pode conviver com batalhas intensas e problemas maiores que uma represália graças ao fato de que os países em questão já contam com presenças de extremistas islâmicos em seu território e que, com força de vontade e uma maior organização, têm condições de aumentar o poder de influência, além de lutar por um controle de território, o que geraria um enorme conflito interno.
Entre os países africanos que correm risco de sofrer com a perspectiva apresentada no último parágrafo, um deles tende a conviver com uma situação ainda mais delicada com a intervenção no Mali. A Nigéria é obrigada a conviver com o Boko Haram, que, atualmente, é uma organização islâmica fraca e pouco organizada, no entanto, especula-se que diversos rebeldes foram para o território maliense preparar-se melhor, visando projetos futuros em território nigeriano.
A situação no Mali é extremamente delicada, uma intervenção internacional é necessária e as atitudes tomadas até aqui são, de certa forma, boas e eficientes, contudo, um pouco mais de atenção e cautela é fundamental para não alastrar problemas relacionados a rebeldes islâmicos por todo o oeste africano e, até mesmo, na Europa.
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Que ótimo texto, Felipe! Fico contente que tenha voltado a escrever. Isso é muito bom :)
ResponderExcluirVocê tocou nos principais pontos e foi correto em todos eles, sobretudo a questão das represálias. Alguns ponderaram que elas poderiam acontecer em solo francês, mas isso é improvável.
A AQMI (Al-Qaeda no Magreb Islâmico), apesar de ter se reforçado muito recentemente, ainda não tem tantas condições para responder em solo europeu. Quanto a isso não cabem dúvidas.
A respeito da atitude de Hollande, creio que foi muito correta. O povo francês -incluindo opositores- diz a mesma coisa. O presidente de Mali pediu socorro e foi prontamente atendido.
Segundo a ONU, as tropas da CEDEAO só começariam a ser enviadas para o país em setembro. Até lá os terroristas tomariam conta tranquilamente, principalmente porque o exército de Mali está em frangalhos.